A rotina é curta e não para, todos prontos para atender assim que chega a emergência, o clima é frio, fechado e nunca dorme. Assim é um centro cirúrgico, moderno cheio de aparelhagem passos rápidos e precisos, porem ainda é possível observar um ambiente maduro e dinâmico uns sorrisos ao fundo de jovens médicos que aos 25 anos já são grandes profissionais.
Entrando no vestiário, para colocar as roupas médicas, nos preparando para entrar no mundo fechado de profissionais da saúde. Passando pelos corredores minúsculos e nos deparando com uma nova realidade, salas separadas e dividas nas etapas entre pré, durante e pós-cirúrgico.
Mesmo com todas as regras, e precisões, há momentos de descontração, na cantina, um pequeno espaço improvisado com fogão, microondas, sofá e até uma televisão. Fomos caminhar pelo lugar, o submundo da saúde.
As salas são bem dividas pelas suas funções e importâncias. Há uma sala só para materiais esterilizados, uma sala para materiais contaminados, mais a frente à sala do pré-operatório, o único ambiente controverso, uma sala mais clara, com desenhos na parede, e enfermeiros descontraídos para relaxar o paciente.
Em seguida são as salas cirúrgicas, primeiro é a pediatria, depois a ortopedia, as de vídeos e a cardíaca. Há ainda infelizmente salas vazias e desativadas por falta de profissionais capacitados.
Depois de conhecer o lugar, paramos e fomos “viver o ambiente”. No pré-operatório estava Dona Ramona, 49 anos, cardíaca e estava esperando uma cirurgia vídeo de vesícula. Estava até animada, nem parecia que ia “entrar na faca”.
– Dona Ramona a senhora está nervosa, preocupada?
– Nem um pouco, ainda vou fazer 50 anos no domingo. Disse faceira.
Pela surpreendente descontração, acompanhamos Dona Ramona até a sala de cirurgia. A sala é rigorosamente preparada, limpa e esterilizada. A senhora deita na maca de cirurgia, onde segundos após a anestesia, dorme profundamente.
A cirurgia segue tranqüila, os profissionais atento para o visor. A médica guia os instrumentos, e vai operando com mais um médico e um residente. Ficamos surpresas com a tecnologia, a aparelhagem. A frieza com que os médicos operavam. Conversando entre si, muitas vezes sobre outras coisas.
Terminamos a jornada, e seguimos para vestiário. Voltamos a nossa “vida normal.” Sem precisões, sem correria,sem lidar com a vida do próximo.

* Vivência no centro cirúrgico de um Hospital Público, a realidade depois da anestesia.

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