Inspiração com menos de um metro e meio.

Arquivo do mês: abril 2012

Beijo de esquimó. Risada de criança. Abraço. Bolo de cenoura. Amelie Poulain. Brigadeiro quente de panela. Sorvete. Pizza. Colo de mãe. Dengo de vó. Estar com os amigos. Banho de chuva. Olhar o mar. Pôr do sol. Música. Livros. Palavras cruzadas. Fotos antigas. Histórias de família. Banho quente. Filme no sofá. Frio. Poesia. Cheiro de leite. Coca-cola. Bebês. Saramago. Carlos Drummond. Poe. Stephen King. Anos 80. Beethoven. Dvorak. Elvis. Ella Fitzgerald. Frank Sinatra. Menino do pijama listrado. Moulain rouge. Laranja Mecânica. Selinho. Beijo no pescoço. Cafuné. Perfume. Comida de mãe. Conselho de pai. Colcha de retalho. Fazer arte na casa da vó. Fazer as malas. Viajar.Descobrir o mundo.

E saber que essa lista está só começando…


 

Frisson. Suspiro.

Carinho.

Arrepio.

 

Levantar o pé. Fechar os olhos.

Abraço.

Frio.

 

Ternura. Quentura.

Doce.

Amasso.

 

Quente. Frio.

Despedida.


No pequenas dicas grandes inspirações (batida essa), vou contando coisas que mudam meu dia. Na verdade são inúmeras coisas que podem me inspirar a escrever (não que seja tanto assim), mas pensando bem, em cada momento, escrevi alguma coisa inspirada em alguma coisa (provérbio xinês).  E é sempre assim, toda vez que tento explicar algo, vou escrevendo uma lauda. E só pra te indicar bons livros, bons filmes, bons textos, boas pessoas, momentos históricos que me fazem pensar e refletir.

É isso.

#filme

 

O Fabuloso Destino de Amelie Poulain

O filme mais divertido, com uma fotografia perfeita e uma personagem de não deixar piscar os olhos. E, além disso, Amelie nos leva a refletir pela vida, o que buscamos, o que é realmente importante para cada pessoa.

A história do filme é sobre Amelie, desde seu nascimento e como encara o mundo, tudo começa quando encontra uma caixinha escondida em seu apartamento. Considerada por ela um tesouro, ela procurar devolver a relíquia perdida, e desenrola o filme.

A personagem adora brincadeiras, estratagemas, planos mirabolantes para se divertir e não ser descoberta. Artes de crianças, sentimentos de adultos numa trilha sonora francesa de viajar em cada nota.

Trailer:

#livro

 

 

O livro “Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago é um dos livros mais inquietantes, angustiantes, lúcidos e verdadeiros que alguma vez li.

É daqueles livros que marcam o tempo, o momento que foi lido para sempre. De ficar com nó na garganta, fechá-lo, esperar a alma voltar ao corpo e continuar.

Foi um dos livros que me fez crescer e ver que a vida não é feita só de coisas boas. Mas vamos a história.

Este livro retrata uma cidade que de repente é atacada pela “Cegueira Branca”, em que toda a população gradualmente fica cega, exceto uma pessoa. (Obviamente Cegueira é uma metáfora para a realidade que as pessoas vivem, porque apesar de olharem não vêm a verdade, ou só vêm o que lhes interessa).

O mundo está cheio de pessoas egoístas, que só pensam em si próprio, tudo o que importa são as nossas vontades. Este livro alerta-nos para a dura realidade, que a humanidade perdeu a capacidade de viver em comunidade.

Deixamos de olhar para o lado, para o próximo, porque estamos sempre com pressa, atrasados, com horários a cumprir, com mil pensamentos ao mesmo tempo.

A única pessoa da obra que não é atacada pela “Cegueira Branca”, é a mulher de um médico, porque preocupou-se primeiro com quem ama e depois consigo. A verdade é que todo aquele, que não vê aquilo que está ao seu redor, ou que diz respeito ao próximo e que só vê o que lhe diz respeito é cego.

#musica

Primeiro quero deixar claro que existem músicas, compositores, músicos e produtos comerciais. E desses últimos claros não vou nem citar. Nada contra música que é feita por aparelhos eletrônicos e que o cantor não sabe nem o que é um Si Bemol. Mas sinceramente, não curto.

Como a primeira dica, não podia deixar de falar da minha paixão: música clássica. Eu sei que não é aquilo que você coloca no som do carro pra ouvir, (eu sei bem que você gosta de um tchê,tchê) mas como eu já disse, tudo vai do momento, e quando quero inspiração para escrever, entender algum tema, eu escuto Mahler, um grande regente e compositor austríaco. Regida por Dudamel, um maestro venezuelano que formou sua orquestra com crianças carentes.


Com alma inquieta.

Sem vírgula, sem pausa.

Cada letra é um zilhão de pensamentos.

Como organizá-los é o desafio nosso de cada dia.

Entre um intervalo, uma revisão, um job, uma conversa, entre um pontode ônibus e outro.

 

Crio, recrio, apago, volto, coloco ponto final.

 

A vida são inúmeras palavras,

algumas sem plural, sem acento,

no superlativo, outrora no diminutivo.

Com muitos advérbios de intensidade ou de negação.

Adjetivos ou não.

 

Porém cada dia é diferente.

Uma regra, uma expressão.

Interpretação.


Vamos para o caixa rápido, é bem mais fácil rápido e objetivo. É sério! Posso atestar! Nada de cartões que não passam, trocos errados, filas intermináveis. Imagine, são só dez volumes! Seu Nasta feliz da vida, olhando àquelas filas compridas, o pessoal sério aguardando, e ele com poucas compras indo á pequenina fila do caixa rápido.

Assim que chegou à fila começou a esperar afinal era pequena. E claro dez itens não demoravam horas. Dez volumes! E o Seu Nasta tinha onze! E agora, o que levar? Talvez se eu deixasse a caixa de cotonete, a garrafa térmica com peneirinha para chá, quem sabe o medidor de leite, os lenços umedecidos, o talco Johnson (se bem que eu não tinha nenhum bebê, mas e se fosse algum para minha casa?), quem sabe as doze lâmpadas reservas?

Claro que não. Como seria a minha vida sem meu cotonete? Sem as doze lâmpadas, claro, se todas queimassem de uma vez? Ai dúvida cruel! Enquanto isso Seu Nasta reparou que a fila não tinha saído do lugar. Mas que coisa. Ah era verdade, havia uma senhora lá na frente com a mesma dúvida, ou um sabonete para cachorro, ou um guarda-ovos! Finalmente quando ela se decidiu o caixa não tinha troco. Aí foi aquele corre-corre, abre gaveta, pede pro caixa ao lado, e a generosa velhinha tinha decidido passar no cartão. Ótimo pensei, agora desenrola, já faz 25 minutos que estou aqui.

Porém a senhora não lembrava a senha, foi procurar na bolsa onde tinha anotado a senha, achando o cartão, descobrimos que não tinha saldo. E o caixa não tinha troco e nem andava a fila. Mas claro, era direito da senhora receber seus cinco centavos de troco! Por fim a moça da minha frente forneceu o troco. Feliz da vida o caixa retorna seu atendimento. Sempre com aquele sorriso e a famosa pergunta: “Tem moeda para facilitar o troco”?”Ou a clássica:” “Posso passar mais 50 centavos, é que estou sem troco!”.

Quando finalmente chega a vez do Seu Nasta, ele ainda não havia escolhido. O caixa começa a passar, e ele interrompe a compra, sobrando o cotonete e o lenço umedecido. Saraiva olha, pensa. Não entende porque as pessoas estavam na fila tão nervosas. Era uma escolha cruel. Mudaria sua vida. Por fim escolhe. Passa a compra e é claro, não liga para os três centavos que fica com o caixa. Saí feliz da vida com sua compra, seus dez itens. Pena que o xampu antialérgico de ratos ficou. Tudo bem, ele voltaria no outro dia, e claro sempre no caixa rápido, afinal foram apenas 45 minutos de espera.

 

* Escrito em algum intervalo do ensino médio.


A rotina é curta e não para, todos prontos para atender assim que chega a emergência, o clima é frio, fechado e nunca dorme. Assim é um centro cirúrgico, moderno cheio de aparelhagem passos rápidos e precisos, porem ainda é possível observar um ambiente maduro e dinâmico uns sorrisos ao fundo de jovens médicos que aos 25 anos já são grandes profissionais.
Entrando no vestiário, para colocar as roupas médicas, nos preparando para entrar no mundo fechado de profissionais da saúde. Passando pelos corredores minúsculos e nos deparando com uma nova realidade, salas separadas e dividas nas etapas entre pré, durante e pós-cirúrgico.
Mesmo com todas as regras, e precisões, há momentos de descontração, na cantina, um pequeno espaço improvisado com fogão, microondas, sofá e até uma televisão. Fomos caminhar pelo lugar, o submundo da saúde.
As salas são bem dividas pelas suas funções e importâncias. Há uma sala só para materiais esterilizados, uma sala para materiais contaminados, mais a frente à sala do pré-operatório, o único ambiente controverso, uma sala mais clara, com desenhos na parede, e enfermeiros descontraídos para relaxar o paciente.
Em seguida são as salas cirúrgicas, primeiro é a pediatria, depois a ortopedia, as de vídeos e a cardíaca. Há ainda infelizmente salas vazias e desativadas por falta de profissionais capacitados.
Depois de conhecer o lugar, paramos e fomos “viver o ambiente”. No pré-operatório estava Dona Ramona, 49 anos, cardíaca e estava esperando uma cirurgia vídeo de vesícula. Estava até animada, nem parecia que ia “entrar na faca”.
– Dona Ramona a senhora está nervosa, preocupada?
– Nem um pouco, ainda vou fazer 50 anos no domingo. Disse faceira.
Pela surpreendente descontração, acompanhamos Dona Ramona até a sala de cirurgia. A sala é rigorosamente preparada, limpa e esterilizada. A senhora deita na maca de cirurgia, onde segundos após a anestesia, dorme profundamente.
A cirurgia segue tranqüila, os profissionais atento para o visor. A médica guia os instrumentos, e vai operando com mais um médico e um residente. Ficamos surpresas com a tecnologia, a aparelhagem. A frieza com que os médicos operavam. Conversando entre si, muitas vezes sobre outras coisas.
Terminamos a jornada, e seguimos para vestiário. Voltamos a nossa “vida normal.” Sem precisões, sem correria,sem lidar com a vida do próximo.

* Vivência no centro cirúrgico de um Hospital Público, a realidade depois da anestesia.