Asilo é o local para onde vão os velhinhos debilitados e carentes certo? Não. A história dos namorados José, Cida e Maria provam que não só o Asilo pode ser uma nova vida, como que para se apaixonar não tem idade. Os três moram no Asilo São João Bosco em Campo Grande, cada um tem uma história, uma vida, e acabaram se encontrando em um lugar totalmente inesperado.

Sábado de manhã, caminhando pelos corredores, a busca de uma história pro jornal, fomos paradas por uma senhora sorridente fazendo crochê. Maria Batista dos Santos, 67 anos e uma “cabeça muito boa” como ela mesma se define. “Faço crochê, bordado, pinta pano-de-prato, toalha, sou uma moça prendada”, nos diz Maria.
Surpresas com suas histórias, ela ainda falava sem parar: ”tomo três banhos por dia, faço minhas unhas de vermelho e até sei lavar prato!”. Sem dúvida sua vida é bem “agitada” no Asilo, estuda nos cursos oferecidos, adora plantar e conversa com todos.

Questionando sobre sua vida, amores, amigos, ela conta que não tem amigos: “Sou sozinha no mun do, sem amigos, só eu e Deus”. Mas, no meio de risadas e perguntas, Maria nos conta o que seria o maior motivo da nossa matéria: “Ah, você sabia que eu namoro? É sim, Ele é lindo, o Pernambuco”.

Não podemos conter o riso, Maria ali toda feliz, com ar de apaixonada. Provou que amor não tem idade, nem hora certa. Já saímos puxando a Maria pelos corredores, para ela nos apresentar o namorado. Caminhando em direção á ala masculina, vira aqui, corre aqui, chegamos ao quarto do Seu José Pernambuco. Um Senhor muito conservado, assistindo ao jogo do Brasil e comendo mortadela.

Ele muito atencioso, nos ofereceu assento e um pedaço da mortadela. Começamos a brincar com o novo “casal 20” do Asilo. Tiramos fotos, os dois juntinhos e Maria muito envergonhada pediu-nos para voltar á sua ala.

Voltamos para a ala feminina, com a curiosidade aguçadíssima sobre o mais novo casal da terceira idade. Deixamos Maria, e fomos procurar Seu José, perguntando aos enfermeiros, se realmente o namoro existia, e fizemos a mais inusitada descoberta: Seu José Pernambuco era o “Garanhão da Madrugada”.

Fomos entrevistar o famoso “garanhão”. José estava sentado numa cadeira, e indagamos sobre o tal apelido. Ele com ares de “bacana”, nos conta que namorava a Maria, e tinha outra, a Cida. “Mas é assim mesmo, homem bão é aquele que tem cinco muié, uma pra cada tarefa do lar”, nos conta todo assanhado. “E se eu fosse mais novo casava com você também”, disse para mim todo faceiro.

Mal podemos acreditar na história que se encaixava. Saímos à procura de Cida, uma jovem senhora de 38 anos, com deficiência auditiva, muito carinhosa e apaixonada pelo Pernambuco. Entre risos, e abraços, ela negou o romance, mais fica toda sorridente quando falamos dele.

No final do que era para ser uma entrevista, aprendemos uma lição com todos os senhores e senhoras do Asilo, não só pelo divertido passeio, mas pela descoberta de uma história de amor no que todos consideram como “final da vida”. Mostrando o verdadeiro significado do Amor.

*Escrevendo besteirol até no jornal da faculdade.

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