Inspiração com menos de um metro e meio.

Arquivo do mês: março 2012

Asilo é o local para onde vão os velhinhos debilitados e carentes certo? Não. A história dos namorados José, Cida e Maria provam que não só o Asilo pode ser uma nova vida, como que para se apaixonar não tem idade. Os três moram no Asilo São João Bosco em Campo Grande, cada um tem uma história, uma vida, e acabaram se encontrando em um lugar totalmente inesperado.

Sábado de manhã, caminhando pelos corredores, a busca de uma história pro jornal, fomos paradas por uma senhora sorridente fazendo crochê. Maria Batista dos Santos, 67 anos e uma “cabeça muito boa” como ela mesma se define. “Faço crochê, bordado, pinta pano-de-prato, toalha, sou uma moça prendada”, nos diz Maria.
Surpresas com suas histórias, ela ainda falava sem parar: ”tomo três banhos por dia, faço minhas unhas de vermelho e até sei lavar prato!”. Sem dúvida sua vida é bem “agitada” no Asilo, estuda nos cursos oferecidos, adora plantar e conversa com todos.

Questionando sobre sua vida, amores, amigos, ela conta que não tem amigos: “Sou sozinha no mun do, sem amigos, só eu e Deus”. Mas, no meio de risadas e perguntas, Maria nos conta o que seria o maior motivo da nossa matéria: “Ah, você sabia que eu namoro? É sim, Ele é lindo, o Pernambuco”.

Não podemos conter o riso, Maria ali toda feliz, com ar de apaixonada. Provou que amor não tem idade, nem hora certa. Já saímos puxando a Maria pelos corredores, para ela nos apresentar o namorado. Caminhando em direção á ala masculina, vira aqui, corre aqui, chegamos ao quarto do Seu José Pernambuco. Um Senhor muito conservado, assistindo ao jogo do Brasil e comendo mortadela.

Ele muito atencioso, nos ofereceu assento e um pedaço da mortadela. Começamos a brincar com o novo “casal 20” do Asilo. Tiramos fotos, os dois juntinhos e Maria muito envergonhada pediu-nos para voltar á sua ala.

Voltamos para a ala feminina, com a curiosidade aguçadíssima sobre o mais novo casal da terceira idade. Deixamos Maria, e fomos procurar Seu José, perguntando aos enfermeiros, se realmente o namoro existia, e fizemos a mais inusitada descoberta: Seu José Pernambuco era o “Garanhão da Madrugada”.

Fomos entrevistar o famoso “garanhão”. José estava sentado numa cadeira, e indagamos sobre o tal apelido. Ele com ares de “bacana”, nos conta que namorava a Maria, e tinha outra, a Cida. “Mas é assim mesmo, homem bão é aquele que tem cinco muié, uma pra cada tarefa do lar”, nos conta todo assanhado. “E se eu fosse mais novo casava com você também”, disse para mim todo faceiro.

Mal podemos acreditar na história que se encaixava. Saímos à procura de Cida, uma jovem senhora de 38 anos, com deficiência auditiva, muito carinhosa e apaixonada pelo Pernambuco. Entre risos, e abraços, ela negou o romance, mais fica toda sorridente quando falamos dele.

No final do que era para ser uma entrevista, aprendemos uma lição com todos os senhores e senhoras do Asilo, não só pelo divertido passeio, mas pela descoberta de uma história de amor no que todos consideram como “final da vida”. Mostrando o verdadeiro significado do Amor.

*Escrevendo besteirol até no jornal da faculdade.


Anastácio. Sujeito bom, tranquilo, era conhecido como Seu Nasta. Tudo o que ele queria era um presente de natal. Então meu Senhor, é natal. Era só o que ele ouvia. Mas tudo bem, ele so queria um presente. Mas eu estava falando do Seu Nasta.

Seu Nasta, sujeito assim na boa, planejando o presente de natal. Dia 09/01: Poxa vida, o que eu vou dar de presente pra minha mãe? Dia 09/02: Meu Deus eu ainda não escolhi, o que será? Um bule,uma meia,uma chaleira,uma pá de cozinha, nossa tava dificil escolher. Dia 09/05, meu Deus!

Já é maio, e até agora nada! Que dia das mães nada. Natal!! Que vou fazer? Já desesperado, Seu Nasta tinha um caderno onde ele anotava as opções; onde poderia comprar, quanto gastaría, um caderno de contas como todo mundo. Mas o Seu Nasta, anotava peso,profundidade,tamanho,altura,dimensão, porque era para mamãe, não era qualquer pessoa.

E após longas e dolorosas buscas, chega a semana do natal. E o Seu Nasta pirado já. Lojas e mais lojas, e aquela correria, promoção daqui,saldão ali, em 10x sem juros, ou em 10x com juros altíssimos, quem se importa? É natal!

Nessa época do ano, é uma correria, comércio lotado, as entregas atrasam,produtos com defeitos,atraso na entrega devido a demanda. Mas eu estava contando a história do Seu Nasta. Dia 24/12, e nada!!! O Saraiva não tinha comprado ainda! Desespero toma conta, cérebro ferve,neurônios, tico e teco. Escolheu! Seu Nasta escolhe o incrível presente depois dessa saga. Ele decidiu comprar uma tesoura sem corte chinesa.

Que presentão, um objeto de decoração, inovador, estiloso, a última tendência internacional. Paraguai está vendendo aos lotes!! É ótimo porque decora sua casa, algo novo, irreverente, você pode pintar de várias cores, por em qualquer lugar, porque é pequeno e coisa e tal. Você também não corta nada, mas com tantas funções para que cortar? Mas eu contava a história do Seu Nasta.

Agora a correria na busca do presente, uma loja, duas,shopping,camelo caixa de ferramentas, e nada. Nenhuma vendia tesoura sem corte! Que absurdo!E era dia 24, Seu Nasta doido, só escutava, : Então meu senhor, é que é natal, sabe como é,aquela loucura de loja, e o seu presente é tão peculiar.

Nem pestanejou. Pegou o carro e viajou, para o estrangeiro é claro, tinha que ser internacional, no Brasil não se vende essas coisas.
Chegando ao Paraguai, não só achou, como ele gostou tanto que queria levar dúzias e dúzias. Ainda mais depois de saber que elas vinham da China!

Voltou para o Brasil, repleto de tesouras sem corte chinesas. Feliz da vida com seu presente. Chegou na casa de sua Mãe, feliz da vida. E ainda não era meia-noite. É Anastácio….. Digo, Seu Nasta.

*Acho que foi feito entre a aula de Química e a de Física. Meados de 2001.


Quando você resolve que vai começar a escrever, nem imagina o que vem pela frente. Apenas acredita que vai pegar a caneta e blá,blá,blá. Aí entra a grande vilã (ou não): Língua Portuguesa. Não adianta fazer aquele texto enorme, se no terceiro parágrafo você já não se lembra do primeiro. Mas esse não é um blog de gramática e sim de textos de quem observa o cotidiano, e todo esse discurso é pra defender que talvez, nem sempre, quase, todas as vezes, alguns erros gramaticais serão propositais, afinal, são textos de meados do século passado (risos), quando eu ainda era menor do que sou hoje e não gostava de passar o recreio em grupinhos.

Divirta-se. É pra rir mesmo. Sério.


Campanha: Dia Mundial da Água
Cliente: Mega 94
Redação: Aline Leque
Direção de Arte: Ricardo Mayeda